Quinta-feira, 9 de Novembro de 2006

DIAS NUBLADOS

Não havia a alegria do sol pela manhã.
Não havia algazarra de pássaros e nem crianças brincando
na calçada.
Não havia o frenesi natural do começo do dia, o incessante
vai e vem das mulheres indo à mercearia da esquina,
os entregadores barulhentos arrastando seus carrinhos
abarrotados.
Não havia o vozerios dos homens que vendem o gás, nem
garis gritando pela rua, nem mesmo a habitual tagarelice
das vizinhas conversando nas janelas .
Os carros passavam silenciosos, lentos, descoloridos
sobre o asfalto cor de chumbo.
Até o céu era plúmbeo, pesado, coberto por espessa
camada de nuvens opacas.
Observei minha imagem no reflexo da vidraça, e encontrei um mapa
de decepções desenhando um arco nas minhas sobrancelhas,
abatendo os cantos da minha boca pequenina, vincando levemente
os ângulos do meu rosto jovem, até ontem ... .
Faltava o brilho no olhar, aquele toque de magia que nos torna
seres encantados, algo que acendesse a chama interior capaz
de colorir até mesmo o céu dos temporais ...
Qual um personagem espiando longe dos holofotes,
repetindo falas há muito decoradas, eu observava a vida
que seguia lá fora, quando,
da árvore em frente, um filhote de pardal me saudou com seus
pios ainda vacilantes, enquanto batia freneticamente suas
asas pequeninas, solitário em seu ninho semioculto entre
os galhos que o cercam...
Era a vida tentando alçar vôo, sinalizando o tempo de seguir
adiante, mudar etapas, lançar-se aos desafios...
Meus olhos ficaram cravados em sua corajosa tentativa,
até o momento precioso em que o pardal se fez maior
do que um gigante, ganhando a imensidão com seu frágil corpinho
cor de giz...
Quando seu vulto minúsculo apareceu lá em cima, misturando-se
aos borrões escuros da amplidão, houve uma sensação
indescritível em minha alma ...
Repentinamente percebi uma certa luminosidade na manhã,
anunciando horas vestidas de branco, silêncios cobertos de paz ...
O sol não estava brilhando. É verdade. Não importa.
O filhote pequenino me ensinara que:
o infinito está à espera de que usemos nossas asas.
publicado por ஜॐ♥ஜ___Estrelinh@___ஜॐ♥ஜ às 00:00
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