***
Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.
Autor: Carlos Drummond de Andrade


Um garotinho perguntou à sua mãe:
Mamã, por que choras tanto ?

E ela respondeu: Porque sou mulher...

Mas... eu não entendo.
A mãe se inclinou para ele, abraçou-o e disse:
Meu amor, jamais irás entender!...

O menino curioso perguntou ao pai:
Pai, por que mamã chora, sem motivo?

O pai respondeu:
Todas as mulheres sempre choram sem nenhum motivo....

Era tudo o que o pai era capaz de responder
O garoto cresceu e se tornou um homem.

E, de vez em quando, fazia a pergunta:
- Por que será que as mulheres choram,
sem ter motivo para isso?

Certo dia em oração perguntou a Deus:
Senhor, diga-me, por favor...
Por que as mulheres choram com tanta facilidade?

E Deus lhe disse:
Quando eu criei a mulher, tinha de fazer algo muito especial.
Fiz seus ombros suficientemente fortes,
capazes de suportar o peso do mundo inteiro...
Porém suficientemente suaves para confortá-lo!

- Dei a ela uma imensa força interior, para que pudesse suportar as dores da maternidade e também o desprezo que muitas vezes provém de seus próprios filhos!
- Dei-lhe a fortaleza que lhe permite continuar sempre a cuidar da sua família, sem se queixar, apesar das enfermidades e do cansaço, até mesmo quando outros entregam os pontos!

- Dei-lhe sensibilidade para amar seus filhos,
em qualquer circunstância,
mesmo quando esses filhos a tenham magoado muito...
Essa sensibilidade lhe permite afugentar qualquer tristeza,
choro ou sofrimento.

- Porém, para que possa suportar tudo isso,
Eu lhe dei as lágrimas, e são exclusivamente suas,
para usá-las quando precisar.

Ao derramá-las,
a mulher verte em cada lágrima um pouquinho de amor.
Essas gotas de amor desvanecem no ar e salvam a humanidade!
[ Desconheço o autor ]
[ Publicado no Estrelademim a 14/12/2006 ]

Andei léguas de sombra
Dentro em meu pensamento.
Floresceu às avessas
Meu ócio com sem-nexo,
E apagaram-se as lâmpadas
Na alcova cambaleante.
Tudo prestes se volve
Um deserto macio
Visto pelo meu tato
Dos veludos da alcova,
Não pela minha vista.
Há um oásis no Incerto
E, como uma suspeita
De luz por não-há-frinchas,
Passa uma caravana.
Esquece-me de súbito
Como é o espaço, e o tempo
Em vez de horizontal
É vertical.
Autor: Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'


* Minhas Salas *